“Contra fatos não há argumentos, já diz o jargão popular. E quando o assunto é aborto, os fatos são comprovados por estatísticas, como a do Instituto Guttmacher, divulgada recentemente, de que cerca de 70 mil mulheres morrem por ano no mundo, vítimas de abortos clandestinos.
Estupro, pedofilia, gravidez precoce, violência doméstica, entre outros, são alguns dos fatores que têm levado mulheres e adolescentes a buscar clínicas clandestinas para porem fim a uma gravidez indesejada, submetendo-se a procedimentos arriscados, devido à falta de condições hospitalares adequadas para atendê-las, principalmente caso aconteça alguma complicação. Eu sempre digo que sou a favor do aborto, não indiscriminadamente, mas em determinadas circunstâncias. Não faço isso para declarar guerra a nenhuma religião ou à parcela da sociedade que é contra o procedimento. Tenho esta opinião principalmente porque a fé que eu professo me impede de exaltar a hipocrisia. O aborto não é a causa do problema, é o efeito. O problema começa antes, na falta de informação, principalmente às camadas financeiramente menos favorecidas; na falta de ações preventivas; nas inúmeras questões sociais que têm levado à destruição de lares e à banalização da família. Diversas manifestações sociais, políticas e religiosas condenam a legalização do aborto, em nome da “defesa da vida”, mas parecem ignorar ou não dar o mesmo valor à vida de crianças que nasceram indesejadas ou em famílias sem a menor condição de criá-las, e que andam por aí, revirando lixo para se alimentar, expostas a todo tipo de doença e violência nas ruas. Também não parecem se importar com a vida de meninas e mulheres que morrem diariamente em clínicas de aborto clandestino.